segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Zumbis no Punk!

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Breve análise da estética visual e sonora da Cold Wave e influências do Punk, tendo como objeto principal a banda Alien Sex Fiend. O trabalho foi orientado pelo professor de design da ESPM-RJ Luciano Tardin.

Por: Ana Luiza Perrone.
4 de Novembro de 2010.

Cinema Digital: o início, o fim, ou um meio?


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    Em seu livro Cultura da Convergência, o autor Henry James disserta sobre a cultura de consumo envolvendo o filme Guerra nas Estrelas, e conta como a saga cinematográfica, além de se tornar um fenômeno comercial, inaugurou uma nova forma de se observar os espectadores - os quais ele chama de fãs cineastas. Segundo James, esses fãs cineastas são, na verdade, os espectadores fascinados pelos episódios da saga, que cresceram se vestindo de Darth Vader, lutando com sabres de luz improvisados e colecionando bonecos de Jedis. A ampla comercialização de bens relacionados a Guerra nas Estrelas, aliada à popularização da câmera digital, deu as ferramentas necessárias a esses fãs para que eles realizassem uma espécie de releitura participante da saga. Essa releitura era feita através de filmes amadores envolvendo personagens ou figuras icônicas da série, que eram protagonizados pelos próprios fãs e lançados na internet. Não demorou muito para que os produtores percebessem o fenômeno e começassem a explorar essa nova tribo de consumo, promovendo premiações oficiais para os melhores filmes e festivais.
    Para Henry James, o filme digital feito pelos fãs está para o cinema assim como o punk está para a música: "Na época, experimentações alternativas geraram novos sons, novos artistas, novas técnicas e novas relações com os consumidores, que foram cada vez mais sendo utilizados em práticas comerciais. Hoje, os fãs cineastas estão começando a abrir caminho para  a indústria comercial, e idéias efervescentes dos amadores - como o uso de games como ferramentas de animação - estão começando a ser utilizados pela mídia comercial."
    O surgimento do cinema digital provocou mudanças drásticas na indústria cinematográfica, e estas ainda estão sendo, de certa forma, processadas (ou "digeridas", por alguns segmentos específicos dela). Além dos benefícios orçamentários, que vão desde barateamento das produções a redução de custos nos processos de transporte e exibição dos filmes, a tecnologia digital fez com que as câmeras se tornassem acessíveis às massas. Como disse Henry James - e assim como Marshall McLuhan já havia afirmado há tempos -, essa mudança não acontece somente por causa do surgimento do Cinema Digital, pois já vinha acontecendo desde que George Lucas iniciou a cultura dos wookies e siths com seu Star Wars. Sendo assim, o meio de comunicação surge para suprir uma necessidade desenvolvida pelos consumidores de atuarem como participantes do processo criativo - que já vinha acontecendo com a internet, por exemplo. Essa necessidade já era interna aos espectadores da nova era, e a câmera digital apenas serviu para materializá-la.
    A cultura do "faça você mesmo" do cinema digital começa no final da década de 1990, como sucessora de uma era de espectadores órfãos dos drive-ins e acostumados com a estética analógica. A película de 35 mm, que hoje talvez seja considerada uma tecnologia ultrapassada, era o formato de filme padrão para produções profissionais. Um rolo de 35 mm custava caro, e manusear uma câmera analógica exigia técnica. O processo de edição era feito na moviola, e o profissional tinha todo um trabalho manual de cortar e colar os fragmentos de filme, cena a cena. Quanto mais cenas eram filmadas, mais rolos de filme eram precisos, o que significava mais dinheiro a ser gasto. Resumindo: tratava-se de um processo muito caro, que exigia experiência e técnica, o que acabava representando uma barreira de entrada para o negócio. O que o cinema digital fez, nas décadas seguintes, foi reduzir cada vez mais essas barreiras, de forma que um iniciante pudesse vir a se tornar um cineasta (como foi o caso de alguns jovens diretores da safra de filmes de suspense e terror que apareceram nos anos 2000).


A Crise dos 35 mm



    Em seus primeiros anos, o filme digital enfrentou uma certa resistência por parte da indústria. Do ponto de vista estético, diretores mais clássicos afirmavam que a digitalização distorcia as cores da imagem e não era capaz de reproduzir o visual widescreen que o filme analógico conseguia imprimir. Do ponto de vista comercial, a discussão era em torno da falta de controle sobre a distribuição e exibição das obras, uma vez que os cinemas ainda não possuíam tecnologia de exibição digital. Para resolver a questão comercial, foi feita uma padronização dos equipamentos e formatos de cinema, onde os estúdios americanos se uniram para criar o Digital Cinema Initiatives (DCI). Para as salas de exibição, restaram apenas duas opções: adequar-se ao novo padrão comprando projetores digitais, ou fazer a transição completa para o modelo novo, deixando para trás os projetores analógicos. A segunda opção parece ser a melhor saída por um olhar de fora, porém, para muitos donos de cinema - principalmente nos Estados Unidos - ela representava uma ameaça.

    Para as salas do circuito comercial, os grandes cinemas, a transição total para os projetores digitais é perfeitamente viável, uma vez que essas salas exibem apenas lançamentos. Já para as salas menores, as art-houses, e os cinemas de repertório, cuja programação consiste em filmes antigos e fora de circulação, não fazer a transição significa ter que sair do mercado. Isso porque elas dependem inteiramente dos estúdios para receber os rolos de filmes - e a maioria deles vem mantendo esses rolos lacrados, na tentativa de forçar as salas de exibição a adotarem a nova tecnologia. Fora isso, alguns filmes gravados em película não fizeram sequer a transição para DVD, portanto dificilmente serão remasterizados em DCI. Existe, então, a possibilidade de que algumas obras de arte sejam perdidas por conta da padronização estipulada pelas majors - e tal possibilidade é temida tanto pelos cinemas de arte, quanto por cineastas que se mostram reticentes ao novo modelo digital.

Salvem os revilvals!

    Recentemente, uma americana chamada Julia Marchese iniciou uma saga pela internet, pedindo doações para poder realizar um documentário. Julia trabalha como bilheteira no conhecido New Bervely Theatre - um cinema dedicado a filmes antigos, localizado em Hollywood, comprado a pouco tempo pelo diretor Quentin Tarantino - e teme que a sala possa sair de circuito por conta da chegada da era digital. Segundo ela, abdicar dos projetores de 35 mm implicaria em uma perda de quase 90% do acervo de filmes do New Bervely, e deixaria uma multidão de cinéfilos frequentadores do cinema enfurecidos. 
    Em seu documentário, intitulado  Out of Print, Julia se pretende a abordar a importância histórica do New Bervely Theatre e, através de depoimentos de diretores que tiveram seus filmes exibidos lá, discutir a questão do filme digital e o impacto que ele vem provocando na cadeia de exibidores de menor porte americana, que põe inclusive seu emprego em cheque. "Os estúdios (donos dos filmes antigos) nos enviaram uma carta, prometendo recolher seus rolos de 35 mm. Ano passado, fiz uma petição pedindo aos estúdios que deixassem esses rolos disponíveis para oscinemas revivals. Consegui arrecadar 10.000 assinaturas de amantes do cinema de 60 países ao redor do mundo" - diz Julia.
    A aspirante a documentarista gravou um pequeno vídeo onde explicava sua idéia e pedia para que aqueles que estavam assistindo compartilhassem o vídeo com o maior número possível de pessoas. Criou uma conta no twitter para o projeto, e conseguiu mais de cem mil seguidores em poucos meses. Para arrecadar as doações, fez uma página na internet com uma explicação detalhada sobre o orçamento de seu filme, e disponibilizou um link onde pessoas do mundo inteiro podiam doar pelo cartão de crédito ou paypal. Em pouco menos de dois meses, o projeto conseguiu arrecadar $81.570 dólares - 6 mil dólares a mais do que a meta - através de 859 doadores. O documentário está sendo produzido em Los Angeles, e Julia posta diariamente em seu twitter atualizações sobre ele.

    Julia Marchese faz parte da leva de espectadores da era do cinema analógico, de uma cultura onde a experiência das salas de cinema se resumia em apreciar a sensação visual que a exibição do telão podia proporcionar aos olhos. Ir ao cinema era diferente de alugar um VHS, porque no cinema existia a experiência, um contato mais íntimo entre o espectador e o filme. A película de 35 mm faz parte dessa experiência, pois ela dá ao filme uma estética diferenciada, que só é possível de ser percebida dentro do cinema. Enquanto no início da década de 1990 Julia integrava a massa do público dos cinemas, hoje em dia ela se enquadra, talvez, dentro de um nicho de mercado, em meio a outros poucos órfãos da estética oitentista. Já o público atual, que nasceu inserido na era digital, tem uma noção diferente sobre a experiência do cinema: trata-se de uma experiência multissensorial, que envolve muito mais do que só imagem e som. Como se observa hoje, os cinemas vêm cada vez mais investindo nas múltiplas sensações provocadas pelo filme, através do 3d e do 4d, do som digital, entre outros. Em termos de produção, temos de volta o argumento de Henry James sobre a cultura do "faça você mesmo": em meio à democratização do acesso à informação promovida pelas mídias modernas, cresce um indivíduo capaz de exercer poder sobre aquilo que ele consome. Diante desse poder, como oferecer a ele algo inovador? 
    John Fithian, presidente da Associação Nacional dos Proprietários de Cinema dos Estados Unidos, é um dos maiores críticos do filme digital. Seu principal argumento é a distorção estética que a tecnologia provoca nos filmes atuais e que, segundo ele, faz com que eles se pareçam com exibições em aparelhos de DVD. "Porque eu iria cobrar das pessoas por uma coisa que elas podem assistir em casa?" - diz ele. E, até certo ponto, ele está certo. O problema é que essa pergunta ignora um elemento importante que deve ser levado em conta nessa discussão, que é a cultura. Não seria essa nova estética fruto de uma nova cultura? E se existem os DVDs, porque há pessoas dispostas a pagar para ir ao cinema?
    De todas essas discussões, o mais importante de se frisar é aquilo que McLuhan insistia em repetir em seus estudos sobre as mídias culturais: um novo meio de comunicação não surge para substituir um antigo, uma vez que ele faz parte de um processo de mudança. Dito isso, é preciso pensar que o filme digital não representa o fim do filme analógico - ao contrário, é importante que o valor estético e cultural da película seja compreendido e preservado, tanto por uma questão de acervo, quanto pela liberdade do cineasta de escolher o processo criativo que deseja seguir. Até porque, padronizar o processo criativo significa limitar a arte, e isso é uma medida totalmente incoerente.


Por: Ana Luiza Perrone
30 de Setembro de 2012.

De Volta à Era dos Videoclipes

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Em 2008, o mundo da música foi surpreendido pela chegada triunfante de Lady GaGa, que arrebatou o pop nas paradas musicais com o hit Just Dance.

Hoje, Lady GaGa é um dos maiores fenômenos do pop atual, e vêm influenciando toda uma geração.

A fama de GaGa, no entanto, não provem apenas de sua voz. A cantora cativou o público através do visual surrealista-futurista de suas roupas - que a princípio remete à extravagância e ao exagero que caracterizou os anos 80, década na qual se consagrou a cantora Madonna, que causou talvez o mesmo impacto que Lady GaGa no universo do espetáculo.



O novo single de Lady GaGa é Telephone - faixa que conta com a participação da cantora Beyoncé, sua antecessora diva do pop, que diga-se de passagem vem se tornando muito mais uma aprendiz do que mestre. Para a gravação desse clipe, GaGa se junta a um dos maiores diretores do ramo - Jonas Ackerlund, famoso por ser inovador e ter gosto pela polêmica.
A prefência da cantora por Ackerlund não é mera coincidência. Visionário, o cineasta tem uma habilidade incrível de construção de imagem, prato perfeito para GaGa por em prática sua visão artística do pop.
Ackerlund se popularizou em tempos que o videoclipe era uma ferramenta essencial para lançar um artista, pois tinha como objetivo transmitir seu conceito para o público. Clipes como Smack My Bitch up, da banda inglêsa Prodigy, e Beautiful, de Christina Aguilera, ambos dirigidos por ele, ficaram consagrados na cena mundial e alavancaram as faixas desses artirstas no mercado, tornando-as hits de sucesso. Com Telephone não foi diferente: o vídeo teve uma repercussão tremenda na mídia, e tem sido acessado por milhões de pessoas através do Youtube.

O clipe de Telephone, roteirizado pela própria GaGa em conjunto com Jonas, explora ao extremo o conceito visual da cantora, fazendo uma alusão ao recente boato que surgiu nos tablóides sobre a própria ser transexual. Num presídio feminino, Lady GaGa aparece sendo violentamente despida por duas carcereiras, e em seguida, protagoniza cenas beijando mulheres másculas vestindo trajes tipicamente de homens.
Polêmicas a parte, Ackerlund cumpre bem a tarefa de transmitir a mensagem que a música pretende passar. Também dá continuidade a sua obra com GaGa, levando adiante a morbidez, o surrealismo e a extravagância característicos de seu último álbum - The Fame Monster.

Lady GaGa é mais que uma cantora. Ela é uma concepção, que tem feito a cabeça da geração atual. Com ela, o videoclipe - que já teve sua época auréa, mas até então parecia esgotado - volta a assumir um papel fundamental no campo da mídia, explorando ao máximo a imagem e todo o ideal que um artísta pretende vociferar. O clipe, por sua vez, deixa de ser um mero retrato de uma banda ou cantor, para retornar como peça fundamental para a construção e propagação de seu conceito artístico.


Por: Ana Luiza Perrone.
30 de março de 2010.

Gosto pelo amadorismo

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A marca LOMO é a grande sensação para os aficionados em fotografia analógica. Desenvolvida na União Soviética na década de 1980, tratava-se de uma câmera simples - pequena, automática, feita para as massas - cuja capacidade de auto-exposição, geralmente encontrada só em câmeras profissionais, permitia que funcionasse em todas as condições de luz produzindo imagens noturnas cheias de luzes e cores. Mas o que chamou mesmo a atenção popular foi sua capacidade de fotografar imagens em grande-angular - imagens em formato arredondado, que permitem uma enquadramento diferenciado da paisagem.

Cerca de 30 anos depois de seu boom, a LOMO ressurge no mercado. A empresa Lomography - responsável pela marca - por sua vez se mostra super otimista com essa volta, e atualmente vem disponibilizando modelos mais modernos, com algumas adaptações.

No entanto, esse moderno diz respeito à mentalidade do consumidor, e não à estética ou tecnologia digital.
Veja a foto a cima, do famoso modelo Diana F+ em versão customizada, relançado a pouco tempo pela LOMO. O design do modelo original foi perfeitamente conservado, mudando-se apenas as cores - que diga-se de passagem, deu a ela uma aparência bastante infantil e remete um tanto aos anos 80.
Isso porque o vintage é justamente o que atrai os compradores, que estão na verdade à procura de modelos com o design clássico da câmera, e pouco se importam com o quão antigo e ultrapassado esse modelo pode parecer.

À direita, a foto mostra um outro lançamento da marca - a Fisheye 2. Trata-se de uma câmera mais moderna, que possui um visor de imagens e flash adicional. Mas - citando o próprio anúncio do modelo - "continua com sua mágica imagem distorcida das coisas".

O fato é que, quem está a procura de uma LOMO, está interessado na estética proporcionada pela técnica que este tipo de máquina fotografica apresenta. Ao passo que a fotografia digital se desenvolveu a partir da necessidade das pessoas em registrar imagens em tempo real, a fotografia analógica investe na idéia de portabilidade, se esforçando para proporcionar a seus adeptos recursos que facilitem a prática dentro dos padrões analógicos, porém reforçando o caráter de amadorismo tão visado pelos consumidores.



Por: Ana Luiza Perrone
12 de Abril de 2010.

Novas linguagens na ESPM


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Chamado por alguns de "o SMS da internet", o microblogging Twitter, criado em 2006 por Jack Dorsey, é atualmente uma das redes social mais populares no mundo da internet.
Por seu caráter minimalista e proposta de linguagem simplificada ao máximo (disponibilizando apenas 140 caractéres para cada mensagem a ser postada), em uma primeira impressão o Twitter parecia não apresentar um público-alvo bem definido, deixando os pesquisadores das redes de comunicação na dúvida sobre o nicho que se propunha a atingir. Mas, em pouco tempo, a nova rede conseguiu atrair milhões de membros através do mundo - e especialmente no Brasil - transformando esse formato simplificado de comunicação em uma tendência.

Com relação à ESPM-RJ, é óbvio que os alunos da nossa escola não ficariam de fora do Twitter - até mesmo nos tempos em que ele podia ser chamado de "novidade". O que chamou a atenção para a pauta deste trabalho foi o fato de não só os alunos, como também a própria faculdade vem usando o microblogging como ferramenta de trabalho.


A biblioteca da ESPM, por exemplo, possui seu perfil no twitter, onde divulga novidades sobre literatura, links para seu site e para blogs relacionados a assuntos pertinentes às aulas. O aluno que tiver uma dúvida pode, por exemplo, usufruir de seu tempo navegando na internet e simplesmente enviar uma mensagem para o perfil da @bibliotecaespm, e receber uma resposta direta.
Diretório Acadêmico da escola também faz uso do twitter para divulgar eventos, tais como palestras, festas ou qualquer acontecimento relacionado à faculdade. Também se dispõe a manter os alunos atualizados sobre cancelamento de aulas e reproduz avisos enviados pelos professores.

Pode-se dizer que 90% dos alunos da ESPM possuem perfil pessoal no Twitter - indo mais além, pode-se dizer ainda que esses alunos estão conectados uns aos outros através dessa rede, mesmo que indiretamente.

O uso do Twitter como ferramenta de comunicação influencia nocomportamento das pessoas, pois ressalta o caráter instantâneo da internet, cirando uma linguagem nova, mais direta, precisa e sucinta. Através dele, como descrito a cima, os usuários (nesse caso, os alunos da ESPM) podem usufruir do conforto de suas casas ou de seu ambiente de trabalho para se comunicar, sem precisa gastar tempo e se deslocar fisicamente de um espaço para buscar uma resposta. De certa forma, essa tendência pode contribuir para asustentabilidade, se o termo for pensado do ponto de vista da aproximação dos indivíduos e do encurtamento das distâncias entre informação e receptor - o que em parte contribui para um maior número de pessoas tenha acesso à informação e dessa forma seja capaz de mobilizar um público para uma ação que contribua para a sociedade.


Por: Ana Luiza Perrone
15 de Abril de 2010.

Anos 90

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As festas temáticas tem sido a grande sensação da noite carioca, lotando os bares e as casas noturnas - especialmente da Zona Sul da cidade.
Parece que a idéia "um dj+um espaço legal+música boa" acabou virando um simplismo, e os produtores de festas têm procurado investir em idéias mais elaboradas, com o objetivo de atrair um público que não se contenta com a mesmice.

De alguns anos para cá, os famosos revivals parecem ter voltado à cabeça das pessoas - tanto dos produtores, como do próprio público. Esse interesse é exemplificado pela imensa quantidade de festas com o tema Anos 90, que vêm tomando conta da programação alternativa da cidade.

A festa Barrados No Baile, que acontece no Cinemateque, em Botafogo, tem como proposta ser "só uma festa anos 90". Os djs destinam seus sets especialmente aos hits da década, e o público completa o repertório - alguns comparecendo fantasiados de personagens que marcaram o período. Na foto a cima, por exemplo, o famoso Mário dos jogos de video-game da Nintendo posa com a musa das revistas masculinas Tiazinha. Ao lado, os rangers preto e vermelho (da série Power Rangers). O próprio nome da festa faz referência à década, pois trata-se da tradução da série americana "Bervelly Hills 90210", que passava na televisão brasileira sob esse título.

Foi também nos arredores da Zona Sul que nasceu a Back to The 90's - talvez a pioneira nesse gênero. Com uma proposta de som mais voltada para o rock, a idéia da festa era relembrar o pior e o melhor dos anos 90. Devido ao sucesso, inúmeros eventos passaram a investir na idéia, dando origem a festas como a Prafrentex 90's, a própria Barrados no Baile, a Alt, e muitas outras que recentemente vem aparecendo pela noite carioca.

Fala-se muito que o revival obedece a um ciclo de 20 anos entre a época em questão e a idolatrada - isso é bem verdadeiro, tanto que foi assim nos anos 90, que resgatou a Disco da década de 70, e em 2000, com a volta do "trash 80's". Estaríamos, então, vivenciando a mais nova fase desse ciclo, onde os 90's ressurgem como febre na noite.
Nota-se também que esse tipo de festa, ao mesmo tempo em que se propõe a resgatar uma época que já passou, acaba deixando subentendido um certo apego pela infatilidade - até porque a maioria dos frequentadores eram crianças no período elogiado. Creio que o que atrai o público é justamente essa tendência de resgatar a infância (ou o chamado Down-aging, observado pela Faith Popcorn), muito mais do que a época em si - é a idéia de reviver a data, e tudo aquilo que ela representou para as pessoas.

Por: Ana Luiza Perrone
17 de Abril de 2010.

Artistas Inovadores



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Quando se fala em inovações no audiovisual, é impossível não citar o Tool como referência em experimentalismo e criatividade.
Essa banda americana dos anos 90 conseguiu criar uma estética soturna e mística em suas composições, que foi fielmente traduzida em seus clipes pelo designer Adam Jones - que também é guitarrista da banda. Jones foi responsável por todo o conceito visual do Tool, e assumiu a direção de arte de todos os vídeos lançados pelo grupo (que em parte foram responsáveis pelo sucesso e atenção mundial que o projeto conseguiu ao longo de sua carreira).
Aqui vão dois clipes do Tool que merecem destaque pelos efeitos especiais (na minha opinião, os melhores já produzidos pela banda e mais perfeitos da história dos videoclipes).


Schism, do álbum Lateralus, remete a um cenário sci-fi com personagens alienígenas mostrando formas estranhas de comunicação.


Parabola, do mesmo álbum, reforçando a concepção sombria e existencialista da banda - no final do vídeo, há uma cena que exibe o corpo humano com toda sua estrutura muscular em um muito bem feito trabalho em 3d.

Comparando com aquilo que se pode obter com a manipulação gráfica hoje em dia, pode-se dizer que, de certa forma, o Tool estaria "ultrapassado". Porém, vale lembrar que esses clipes foram tidos como inovadores na época em que foram lançadados - além do que, eles apresentam técnicas diferentes de filmagem, que mesmo sendo antigas são usadas até hoje, e podem proporcionar aspectos visuais muito interessantes e novos, dependendo de como forem aplicadas.

Por: Ana Luiza Perrone
19 de Março de 2010.

Comida saudável no Centro


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De uns tempos para cá, a preocupação com a saúde e o bem-estar tem aumentado bastante. As pessoas parecem estar mais conscientes, e dispostas a levar uma vida mais saudável.
Comer bem, como todos sabem, é um dos caminhos para se prolongar a vida e melhorar sua qualidade - por isso, a população de hoje está decidida a cuidar de sua alimentação, buscando opções mais saudáveis que explorem as propriedades nutrientes dos alimentos.

Esse discurso do "comer bem" funciona bem na teoria, mas na prática pode ser bem diferente. Para uma pessoa que trabalha no Centro do Rio de Janeiro, por exemplo, e tem cerca de uma hora e meia de almoço, provavelmente a melhor opção de refeição seria a mais rápida, por mais consciência ecológica que essa pessoa tivesse. Isso parece verdade, até darmos um passeio à tarde pelo bairro...

BeterrabaVerde VícioSabor SaúdeBardana's. Esses são alguns dos inúmeros restaurantes vegetarianos espalhados pelo centro da cidade. E para quem pensa que pouca gente gosta de comida orgânica, eles ficam sempre lotados - as vezes a fila de espera vai até a rua.

O restaurante Green, um dos mais indicados por quem frequenta o Centro, fica na Rua do Carmo. Seu cardápio - todo preparado com alimentos naturais - oferece de saladas até a "feijoada vegetariana", a marca registrada do restaurante.
Já o Verde Vício (foto), na Rua da Buenos Aires, oferece a opção de montar um prato com proteínas, carboidratos e legumes escolhidos pelo cliente.

Engraçado pensar que um lugar que tem tudo para ser dominado por fast foodsabriga tantos estabelecimentos desse tipo. Parece que as pessoas estão deixando a correria de lado e realmente passando a pensar na saúde. Com isso, pudemos observar que essa tendência do "sustentável", que se traduz na recente preocupação da sociedade com a saúde do meio-ambiente em prol de uma vida mais longa atinge também o setor gastronômico. O Centro do Rio, que é o centro do comércio e onde acontece quase toda a atividade econômica da cidade, pode ser um exemplo de como essa tendência do "ser saudável" influencia o comportamento das pessoas, visto à grande procura por esse tipo de restaurante vegetariano e sua multiplicação constante pelos arredores do bairro.

Por: Ana Luiza Perrone
21 de Abril de 2010.

Saindo de casa pela web

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De algumas semanas para cá percebemos em nossas páginas no twitter várias mensagens de outros usuários, dizendo coisas como "I am @ McDonald's"....
Depois de pesquisar um pouco sobre, descobrimos que essas mensagens na verdade vinham de um aplicativo chamado Foursquare, feito para celular, que permite que as pessoas avisem aos amigos para onde estão indo, e onde se encontram no dado momento.

Esse aplicativo, na verdade, funciona como um serviço de geolocalização, e está muito mais para uma rede social do que para uma simples ferramenta do Iphone. Também possui qualidades de um jogo: promove uma espécie de competição entre os usuários, onde eles ganham pontos por locais visitados e recebem títulos de acordo com a quantidade de visitas a um mesmo lugar.
Para entender mais sobre o que é o Foursquare, o Interney fez esse pequeno tutorial: clique aqui para ler.

O mais interessante do Foursquare é a possibilidade dada aos usuários de inserirem dicas e descrições sobre cada estabelecimento visitado por eles. Você pode, por exemplo, citar um restaurante que tenha lhe agradado como um "lugar a ser visitado", e recomendá-lo para seus amigos. Assim como pode consultar dicas de outros usuários antes de sair de casa, e escolher seu destino de acordo com as recomendações das outras pessoas.
O grande diferencial é que, ao contrário do que muito se escuta sobre as redes sociais - que elas "influenciam as pessoas a serem sedentárias, a terem uma vida reclusa e dedicada somente a passar horas na frente do computador" - o Foursquare é o oposto disso. Seu conceito é puramente desenvolvido em prol do convívio social, e incentiva as pessoas a saírem de casa.
Outra característica a ser destacada é a exploração que ele faz das mídias digitais e da portabilidade: originalmente desenvolvido para celulares com conexão à web, pode conectar-se ao twitter e ao facebook. Mais uma vez, junta-se as idéias de praticidade e tempo real - dois conceitos fundamentais para se compreender o avanço das redes sociais e da tecnologia nos dias de hoje.

No twitter, por sinal, o Foursquare é a nova tendência. Tá todo mundo usando!


Fontes:
www.interney.net
http://twitter.com

Mais sobre o Foursquare: http://foursquare.com


Por: Ana Luiza Perrone.


5 de Maio de 2010.

Trânsito no Twitter

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É fato que o Twitter é a rede social mais popular da atualidade, agregando usuários que vão de pessoas do meio artístico até políticos que o usam para divulgar sua campanha. Mais do que apenas um site de relacionamentos, o Twitter é a afirmação da cultura panmidiática, e demonstra a necessidade que as pessoas têm de estarem permanentemente num estado de comunicação.
Além de fins comerciais e mero entretenimento, o site também se tornou uma espécie de utilidade pública:

LeiSecaRj foi originalmente criado em conseqüência da Lei Seca, com o intuito de alertar os seguidores sobres os pontos da cidade onde estariam ocorrendo as blitz (as chamadas #bols, tag criada para "blitz da lei seca").
Em abril desse ano, quando o Rio de Janeiro passou pela semana mais chuvosa dos últimos 40 anos, o LeiSecaRj se dispôs a fazer uma cobertura voluntária do trânsito - que ficou caótico - em toda a cidade, enviando mensagens atualizadas sobre os engarrafamentos, as ruas interditadas, locais onde haviam ocorridos desastres, além de divulgar postos de doações aos desabrigados de Niterói e demais locais prejudicados por deslizamentos. Os moradores contribuíam enviando tweets sobre a situação na qual seu bairro se encontrava - estes, o LeiSecaRj reenviava, para que todos os outros followers pudessem ler. O resultado foi grandioso, tanto que os moderadores do perfil foram horados com uma medalha pela Câmara dos Vereadores, pelo belo trabalho de orientação ao trânsito.
A partir de então, o LeiSecaRj passou não só a alertar sobre as bols, como também a divulgar informações sobre o trânsito em toda a cidade. Atualmente, possui mais de 60 mil seguidores.

Além deste, há outros perfis que divulgam informações do trânsito no twitter, como o CETRIO_ONLINE, criado pela própria CETRio. Apesar de ser um pouco lento, dá boas dicas aos motoristas.

A criação desse tipo de serviço no twitter mostra que o perfil dos usuários dessas redes sociais mudou: não são mais sendentários, ou pessoas que estão com o tempo vago no trabalho ou em casa, dispostas a gastá-lo na internet, e sim pessoas em constante atividade, nas ruas, dirigindo, andando, saindo, trabalhando, e seguindo sua rotina diária, constantemente conectadas à web.
Na era moderna, a internet não é apenas uma ferramenta - ela é parte integrante da vida pessoas, tendendo cada vez mais a estar presente até mesmo fora dos meios virtuais.
O fato de poder acessar uma rede social para ter noções de direção no trânsito nada mais é do que um exemplo claro disso: podemos usufruir da tecnologia digital para adquirir informações que nos ajudarão no dia-a-dia, com o conforto de não precisarmos sair de onde estamos para conseguí-la.

Fonte:

http://twitter.com/


Por: Ana Luiza Perrone.
11 de Maio de 2010